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Circuit breaker na B3: Ibovespa chega a cair 17%, fecha em queda de 13,88% e dólar sobe 8,21% no primeiro pregão após a reeleição de Lula

B3 aciona o circuit breaker pela 1ª vez desde 2020. Ibovespa fecha em queda de 13,88% e dólar sobe 8,21%, a R$ 5,40. O que muda para quem opera WIN e WDO.

Ariel Fernandes·Analista CNPI··
Circuit breaker na B3: Ibovespa chega a cair 17%, fecha em queda de 13,88% e dólar sobe 8,21% no primeiro pregão após a reeleição de Lula

Correção, 28/10/2026: o fechamento oficial do Ibovespa foi de 176.608,23 pontos, queda de 13,88%, e não o número preliminar de 177.539,81 pontos (13,43%) publicado antes. A alta do dólar no dia foi de 8,21%, e não de 8,25%.

Fechamento: Ibovespa cai 13,88% e dólar sobe 8,21%

O Ibovespa fechou a 176.608,23 pontos, queda de 13,88%, segundo a InfoMoney às 17h15, número que a Yahoo Finance também registra. O valor divulgado antes, às 16h55, de 177.539,81 pontos (13,43% de queda), era preliminar. O índice recuperou parte da manhã: na mínima, perto das 10h45, caía 17,34%. O dólar à vista terminou o dia a R$ 5,403, alta de 8,21%, segundo a InfoMoney (matéria de fechamento das 17h29), com máxima de R$ 5,605. Na máxima, a moeda passou da maior alta diária desde 1999 (11,10%); no fechamento, ficou abaixo dela.

Nos juros, as taxas futuras chegaram a subir quase três pontos percentuais, segundo o Valor, e no Tesouro Direto o prefixado 2032 foi a 15,78%, a maior alta diária de taxa da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005, acima até do salto de março de 2020, segundo a InfoMoney. A plataforma tirou do ar os prefixados e os atrelados à inflação às 16h25, e o Tesouro Selic seguiu disponível. Além da recompra de NTN-F da manhã, o Tesouro fez à tarde um segundo leilão extraordinário e recomprou 58,59% de um lote de 3 milhões de NTN-B, cerca de R$ 7,7 bilhões, segundo o Valor.

A B3 também explicou o segundo estágio do circuit breaker que não disparou. Segundo a InfoMoney, a bolsa decidiu acionar o mecanismo antes mesmo de as ações abrirem, com base numa projeção que "indicava a queda superior a 20%, com o objetivo de proteger os participantes e investidores", e informou que uma nova interrupção só ocorreria com nova queda de 20% em relação ao fechamento anterior. A B3 não disse se a mudança vale só para este pregão.

Vinte e um dias depois de o Ibovespa passar pela primeira vez dos 200 mil pontos, o mercado fez o caminho de volta numa manhã só. Com a reeleição de Lula no segundo turno de domingo, a B3 acionou o circuit breaker logo na abertura desta segunda, a primeira vez que o mecanismo foi usado desde março de 2020, no início da pandemia, segundo o Valor Econômico. Depois da retomada, o índice chegou a cair 17,34%, aos 169.516 pontos. O dólar chegou a R$ 5,6048, alta de 12,25%, e os juros futuros subiram tanto que vários contratos pararam de negociar por terem atingido o teto do dia. Para quem opera mini índice e mini dólar, foi o tipo de sessão em que o risco que importa não é errar a direção, é conseguir sair da posição.

O resultado que o mercado não esperava

Lula terminou o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, ou 64,2 milhões de votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, ou 59,8 milhões, segundo o Valor e a Money Times. A diferença ficou em cerca de 4,4 milhões de votos. Lula somou 10,3 milhões de votos em relação ao primeiro turno, e Flávio, 3,7 milhões.

O tamanho da reação de hoje vem da distância entre esse resultado e o que estava nos preços. Flávio saiu na frente no primeiro turno e, segundo o g1, a grande maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem dele no segundo. Foi essa expectativa que levou o Ibovespa de 192.115 pontos, na véspera do primeiro turno, para a casa dos 205 mil nas semanas seguintes, segundo dados da Yahoo Finance. A Monte Bravo resumiu à Money Times o que mudou: "a reeleição de Lula exige uma reavaliação do prêmio de risco dos ativos brasileiros".

A queda começou antes de a bolsa abrir. Ainda no domingo à noite, o EWZ, fundo negociado em Nova York que replica uma cesta de ações brasileiras, caiu 19%, segundo o g1. Por volta das 9h40, antes da abertura das ações, o Ibovespa futuro já recuava 19,80%, aos 167.055 pontos, e o EWZ caía 27,57% antes da abertura em Nova York, segundo o Valor.

O que é circuit breaker e como funciona na B3

O circuit breaker é a regra da B3 que interrompe as negociações quando a queda do Ibovespa fica grande demais, para dar tempo ao mercado de reavaliar preços antes de continuar. São três estágios: queda de 10% em relação ao fechamento anterior suspende os negócios por 30 minutos; se, depois da volta, a queda chegar a 15%, a pausa é de uma hora; e uma queda de 20% permite à B3 suspender por prazo definido por ela, segundo as regras descritas pela InfoMoney e pelo Valor. O mecanismo não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão.

Hoje o primeiro estágio disparou logo nos primeiros minutos, quando o índice atingiu a queda de 10%. O horário varia entre as fontes: 10h03, segundo a Money Times, e 10h05, segundo a InfoMoney. A suspensão alcançou ações, fundos negociados em bolsa, derivativos e renda fixa privada. Segundo a B3, citada pelo g1, a volta dos negócios seria feita por leilão entre 10h30 e 10h35.

Na retomada, o Ibovespa voltou com queda de 16,88%, aos 170.461 pontos, segundo a Money Times, já além do gatilho de 15% do segundo estágio. Mesmo assim, não houve nova suspensão. A explicação da B3, dada à tarde, está na seção de fechamento acima: com a projeção de queda acima de 20%, o próximo gatilho passou a ser o de 20%.

Bolsa: só seis ações do índice subiam

Por volta das 11h40, o Ibovespa recuava 16,44%, aos 171.367 pontos, segundo a InfoMoney. A mínima do dia até ali era de 169.516 pontos, queda de 17,34%, número que aparece igual no Valor e na Yahoo Finance. No pior momento, o índice tinha perdido cerca de 35,6 mil pontos em relação à sexta, e estava abaixo do nível em que fechou na véspera do primeiro turno. O volume financeiro projetado para o índice era de R$ 44 bilhões por volta das 11h, segundo o Valor.

As maiores quedas vieram de empresas ligadas a juros e consumo doméstico, as mesmas que mais tinham subido nas semanas anteriores. Entre 11h e 11h30, Vamos caía 59,44%, Magazine Luiza 49,88%, B3 45,45%, C&A 44,15%, Cyrela 43,35% e Assaí 42,03%, números que aparecem iguais na Money Times e no Valor. Entre os bancos, por volta das 11h, as units do BTG Pactual perdiam 34,16% e Banco do Brasil 31,23%, segundo o Valor. No mesmo horário, Petrobras ON caía 8,38% e PN 10,07%.

Na outra ponta, só seis ações do Ibovespa subiam por volta das 11h40, todas exportadoras, que faturam em dólar e ganham com a moeda mais cara: Suzano, Klabin, Embraer, Vale, Bradespar e WEG, segundo a InfoMoney. Suzano liderava, com alta de 8,82%. Muitas das ações em queda passaram boa parte da manhã em leilão, porque bateram o limite de oscilação permitido, e a B3 prorrogou esses leilões em sequência, segundo o Valor.

Dólar: máxima de 12,25% e devolução de parte da alta

O dólar à vista chegou a R$ 5,6048 perto das 10h05, alta de 12,25%, a máxima do dia segundo o g1. Naquele momento, segundo o Valor, a negociação do à vista estava travada, porque o preço dele se forma a partir do mercado futuro, cujos contratos tinham batido no limite de oscilação. No mercado fora do país, na plataforma da CME, a moeda chegou a R$ 5,70, de acordo com um gestor ouvido pelo jornal. A própria CME informou ter registrado cerca de US$ 2,5 bilhões em contratos futuros de real ainda antes da abertura no Brasil, cerca de três vezes o volume médio diário do ano. O real era a pior moeda entre as 33 mais negociadas do mundo.

Para dimensionar: a maior alta diária do dólar desde a adoção do câmbio flutuante, em 1999, foi de 11,10%, em 15 de janeiro daquele ano, segundo levantamento do Valor. Na máxima de hoje, o dólar estava acima disso. Depois da máxima, a moeda devolveu parte da alta: perto das 11h30, subia 9,72%, a R$ 5,4783, segundo o g1. No fechamento, a alta de 8,21% ficou abaixo do recorde de 1999.

Juros futuros: limites batidos e leilões cancelados

No mercado de juros, as taxas abriram batendo nos limites de oscilação, que a B3 já tinha ampliado duas vezes. Por volta das 9h50, segundo o Valor:

Nos três últimos contratos, a negociação parou porque as taxas atingiram o limite do dia. A Money Times, com dado de por volta das 10h, também registrou alta de mais de 200 pontos base nos vencimentos intermediários e longos, e que a curva deixou de precificar cortes da Selic.

O Tesouro Nacional agiu em duas frentes. Primeiro, cancelou os leilões de NTN-B e de títulos prefixados previstos para esta semana e manteve apenas a oferta de LFT, título atrelado à Selic. "O Tesouro Nacional continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros ativos relacionados", disse o órgão em comunicado citado pelo Valor. Depois, anunciou um leilão extraordinário de recompra de até 15 milhões de NTN-F, 5 milhões para cada vencimento de 2031, 2033 e 2037, com resultado previsto a partir das 12h. O Tesouro Direto não abriu no horário habitual: segundo a InfoMoney, a plataforma seguia fechada por causa da alta volatilidade das taxas.

Lá fora, um dia normal

O contraste com o exterior mostra que o choque é daqui de dentro. Por volta das 12h, o S&P 500 subia 0,99% e o Nasdaq 1,27%, e o DXY, índice que mede a força do dólar contra moedas de países desenvolvidos, praticamente não se mexia, com alta de 0,16%, segundo a Yahoo Finance. O que caiu foi o Brasil: o EWZ recuava 22% no mesmo horário.

Para os próximos dias, o Goldman Sachs, segundo a InfoMoney, diz esperar que "um grau maior de prêmio fiscal deve ser incorporado aos ativos brasileiros" e aponta três pontos de atenção: a escolha do ministro da Fazenda, as primeiras medidas do governo e a votação do Orçamento de 2027 no Congresso, onde, segundo o banco, "o partido de Flávio Bolsonaro emergiu da eleição como a maior força tanto na Câmara quanto no Senado".

O que um dia como hoje ensina a quem opera WIN e WDO

Três coisas aconteceram hoje que mudam a conta de risco de quem opera mini índice e mini dólar, e nenhuma delas é sobre acertar o lado.

A primeira é o limite de oscilação. Antes da abertura, a B3 ampliou o limite de queda do Ibovespa futuro e do mini índice de 10% para 15% e, depois, para 20%, segundo a InfoMoney e o Valor. Nos contratos futuros de dólar, a B3 ampliou o limite de oscilação diária de 6% para 8,4%, segundo o Valor. Esse limite vale para o contrato futuro; a cotação de R$ 5,6048 citada acima é do dólar à vista, outro mercado. Quando o contrato encosta no limite, o preço para de andar e a ordem só executa se houver contraparte naquele preço. Quem estava do lado errado podia simplesmente não conseguir sair.

A segunda é o gap. O mercado abriu longe de onde fechou na sexta, e no caso da bolsa ainda passou 30 minutos parado. Ordem de stop não garante execução no preço marcado quando o preço salta de um nível para outro sem negociar no meio. Quem dormiu posicionado de sexta para segunda, num fim de semana de eleição, descobriu o tamanho do risco no gap, não no stop.

A terceira é a infraestrutura. Segundo o g1, o Downdetector registrou relatos de instabilidade em aplicativos de várias corretoras e bancos ao longo da manhã. Nem todas as instituições confirmaram problema, mas o recado vale do mesmo jeito: num dia de volume fora do normal, a plataforma também é parte do risco. Saber de antemão como zerar a posição por outro canal, como a mesa de operações da corretora por telefone, faz parte do plano.

Prática comum de gestão de risco é definir tamanho de posição e stop antes de saber a direção do primeiro candle, e avaliar o pior gap possível antes de carregar posição por um evento fora do horário de pregão. Em dias assim, proteger o capital é o que sustenta a próxima operação. Esta matéria não é recomendação de investimento.

O que fica para os próximos pregões

O dólar fechou abaixo do recorde de 1999 e o Ibovespa devolveu parte da queda da manhã, mas os juros terminaram o dia no maior salto da série do Tesouro. Ficam no radar a escolha do ministro da Fazenda, as primeiras medidas do governo e a votação do Orçamento de 2027, os três pontos que o Goldman Sachs apontou. Não cabe a esta reportagem projetar onde o Ibovespa ou o dólar vão daqui pra frente. O que dá para fazer é medir o tamanho do movimento com dado e fonte, como fizemos no primeiro pregão depois do primeiro turno, quando o sinal era o oposto.

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Ariel Fernandes é analista CNPI e fundador e CEO da TSR Educação, empresa que vende cursos e a Sala de Trade. Esta análise expressa a opinião pessoal e independente do autor, que pode ter posição nos ativos citados.

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