Decisão: Fed mantém os juros entre 3,75% e 4%, e dois dirigentes votam por alta
O Fed manteve a taxa de juros americana na faixa de 3,75% a 4% ao ano, como o mercado esperava, segundo o comunicado oficial divulgado às 15h de Brasília. A decisão não foi unânime: o placar foi de 10 votos a 2, e Lisa Cook e Beth Hammack votaram por uma alta de 0,25 ponto percentual. Para Cook, foi a primeira dissidência desde que entrou no conselho do Fed, em 2022, segundo a American Banker.
No comunicado, o Fed diz que a inflação "continua elevada", que a atividade cresce em ritmo forte, que a criação de vagas acompanhou o crescimento da força de trabalho e que a taxa de desemprego mudou pouco. Sobre os próximos passos, o texto não se compromete: diz que mais informações vão ajudar a definir a política de juros.
Na coletiva, que começou às 15h30, Kevin Warsh disse que a inflação "está muito alta" e que a responsabilidade do Fed é fazê-la cair, mas também que as expectativas de inflação foram na direção certa e que se sente encorajado pelo progresso já feito, segundo a InfoMoney. Até as 15h45, ele não tinha antecipado o que o Fed fará em dezembro, segundo a InfoMoney e a Yahoo Finance. A novidade foi de calendário: Warsh disse que oito reuniões por ano são adequadas e que uma delas não terá decisão de juros e será dedicada a estratégia, segundo a InfoMoney. A Yahoo Finance detalha que a mudança começa em 2027 e que, em 2028, seriam duas reuniões de estratégia e seis de política monetária. Antes da decisão, o FedWatch apontava cerca de 84% de chance de alta em dezembro, segundo a Yahoo Finance.
No mercado, o Ibovespa, que chegou a cair 3,15% antes da decisão (170.169,76 pontos às 14h45), reduziu a queda para 2,51%, aos 171.296,48 pontos, às 15h41, segundo a InfoMoney. O dólar estava a R$ 5,380, alta de 0,55%, às 15h18, segundo a InfoMoney, e aparecia perto de R$ 5,358 às 15h45, segundo o agregador AwesomeAPI. Nos Estados Unidos, o juro do título de 10 anos estava em 5,05% às 15h48, segundo a Yahoo Finance. A queda da bolsa no dia tem, segundo a InfoMoney, que cita a Reuters, três pesos: o ajuste depois da reeleição de Lula, a preocupação fiscal com o novo mandato e a alta dos juros americanos. Varejistas lideraram as perdas: às 15h01, Casas Bahia caía 14,29%, Americanas, 13,46%, e Magazine Luiza, 12,17%.
Abaixo, o texto publicado às 10h30, antes da decisão.
O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, anuncia nesta quarta-feira, 28 de outubro, às 15h de Brasília, a decisão sobre a taxa de juros americana. O dólar comercial abriu perto de R$ 5,36, alta de 0,16% segundo o UOL, e às 9h14 estava a R$ 5,354, segundo a InfoMoney. O contrato futuro do Ibovespa recuava 0,65%, aos 177.205 pontos, às 9h55 (o índice à vista fechou a terça em 175.710,05). É o terceiro pregão desde a eleição e o segundo depois do circuit breaker de segunda, e o calendário de fora volta a pesar junto com o de dentro.
Que horas sai a decisão do Fed e quando começa a coletiva
O comunicado do Fed sai às 15h de Brasília, com o pregão da B3 aberto. A entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, começa cerca de meia hora depois. Os Estados Unidos ainda estão no horário de verão, que termina em 1º de novembro; a partir daí, a diferença para Brasília muda e as próximas decisões passam a sair uma hora mais tarde no nosso relógio.
Fed mantém os juros hoje? O recado sobre dezembro é o que move preço
Os juros americanos estão na faixa de 3,75% a 4% ao ano desde 16 de setembro, quando o Fed subiu a taxa pela primeira vez em mais de três anos. Para hoje, a ferramenta FedWatch, do CME Group, que calcula a probabilidade de cada decisão a partir dos contratos futuros de juros, apontava cerca de 90% de chance de manutenção às 9h27, segundo a InfoMoney.
Com a manutenção praticamente no preço, o que pode mexer com o mercado é o tom. Esta reunião não traz projeções novas dos dirigentes, que só serão atualizadas em dezembro, segundo a Forbes e o calendário oficial do Fed. A próxima reunião é em 8 e 9 de dezembro, e para ela o FedWatch apontava 77,9% de chance de alta para a faixa de 4% a 4,25% às 8h42, segundo a InfoMoney. Por isso, a atenção se divide entre o comunicado das 15h e a coletiva. Qualquer sinal que reforce ou enfraqueça a alta de dezembro tende a aparecer primeiro nos juros dos títulos do Tesouro americano e no dólar.
Há também um fator de calendário. A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos acontece na próxima terça-feira, 3 de novembro, e Thomas Block, estrategista da Fundstrat, avalia que seria improvável o Fed mudar os juros uma semana antes dela, segundo a InfoMoney.
Por que os juros dos EUA mexem no dólar no Brasil
Juro mais alto nos Estados Unidos aumenta o retorno dos títulos do Tesouro americano, que têm risco de crédito considerado baixo, e reduz a vantagem de aplicar em países emergentes como o Brasil. Isso tende a fortalecer o dólar frente a moedas como o real, embora o efeito dependa também do juro e do risco fiscal brasileiros e do apetite global por risco. O caminho inverso também vale: um Fed que sinaliza menos aperto alivia essa pressão.
O efeito, porém, não depende só da decisão. Depende da distância entre o que o Fed comunica e o que já estava no preço. Com 90% de chance de manutenção já embutidos nos contratos, o que move o dólar no que depende do Fed é a surpresa, se houver, e não a decisão em si. E o cenário doméstico segue no centro.
Dólar, bolsa e juros nesta manhã
O dólar vem de uma queda de 0,97% na terça, quando fechou a R$ 5,350, depois de oscilar entre R$ 5,308 e R$ 5,412, segundo a InfoMoney. Na segunda, dia do circuit breaker, tinha fechado a R$ 5,403, alta de 8,21%. Nesta quarta, o minidólar de novembro (WDOX26) subia 0,05%, a 5.360,50 pontos, às 9h04.
O Ibovespa fechou a terça em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, segundo a InfoMoney e a Yahoo Finance. Os juros futuros abriram esta quarta em alta em toda a curva: às 9h09, o DI para janeiro de 2029 subia 0,12 ponto percentual, a 14,86% ao ano.
Segundo a InfoMoney, investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da B3 no dia seguinte à eleição, e o mercado segue atento aos primeiros sinais da equipe econômica do governo reeleito.
Balanços do dia
A temporada de resultados do terceiro trimestre também entra na conta. Antes da abertura, o Santander Brasil informou lucro recorrente de R$ 2,9 bilhões, queda de 28% em um ano, e a Klabin, Ebitda ajustado de cerca de R$ 1,86 bilhão, em linha com a projeção do BBA, segundo a InfoMoney. A Petrobras divulga o relatório de produção do trimestre depois do fechamento. Nos Estados Unidos, Alphabet e Microsoft publicam seus números depois do fechamento de Nova York, ou seja, já depois da decisão do Fed.
O que observar para quem opera WIN e WDO
A decisão sai às 15h, com o pregão da B3 aberto. Para quem opera mini índice e mini dólar, isso significa dois momentos de possível volatilidade na mesma tarde. O mercado costuma reagir ao texto do comunicado em segundos, e a coletiva, meia hora depois, pode confirmar ou reverter esse primeiro movimento.
Nos minutos em torno de um anúncio assim, o livro de ofertas costuma ficar mais raso, a diferença entre compra e venda pode aumentar e o preço pode pular de um nível para outro sem negociar no meio. Nesse caso, uma ordem de stop a mercado é executada, mas pode sair em preço pior que o marcado, e um stop limitado pode nem ser executado. Foi o que a segunda mostrou. Prática comum de gestão de risco é decidir antes do anúncio se vai estar posicionado ou não, e com qual tamanho, em vez de decidir no meio do movimento. Em dias assim, proteger o capital vale mais do que acertar a direção. Esta matéria não é recomendação de investimento.
A reação completa, no entanto, costuma aparecer no dia seguinte. A abertura de quinta-feira, 29, vai ser o primeiro pregão inteiro depois da decisão e da coletiva, e no mesmo dia o Banco Central Europeu anuncia os seus juros.
O que fica para os próximos pregões
A próxima decisão do Fed é em 8 e 9 de dezembro, já com projeções novas dos dirigentes, e sai às 16h de Brasília, porque o horário de verão americano termina em 1º de novembro. Para o pano de fundo doméstico, a cobertura do pregão do circuit breaker mostra o tamanho do movimento de segunda e o que ficou no radar desde então.
Divulgação. A abertura de quinta, o primeiro pregão inteiro depois do Fed, é acompanhada ao vivo e online na Sala de Trade, serviço educacional pago da TSR Educação, empresa que publica este portal. A Sala é conduzida por Ariel Fernandes, analista CNPI que assina esta matéria, e pelos analistas da TSR, em mini índice e mini dólar, de segunda a sexta, das 9h às 12h. Esta matéria é informativa e não é recomendação de compra ou venda de ativo. Day trade envolve risco de perda, e resultados individuais não garantem o seu.




